Sobre mim
Sou paulistana, pisciana e viajante. Trabalho como comissária de iate, o que me dá a oportunidade de estar sempre próxima ao oceano. Em 2009 descobri que meu lugar era no mundo e sai para procurá-lo. Este blog é resultado do desejo de compartilhar minha vida, um pouco incomum, com os que queiram se aventurar e tentar ajudar aqueles que meu caminho cruzar. Sejam bem-vindos ao meu mundo!
A história de Phongyi e as crianças do monastério de Phaya Taung
Eu fui com o intuito de ajudar, mas aquele lugar me permitiu descobrir algo novo sobre mim
15/08/2017 - Atualizado em 15/08/2017 21h47


Tendo como cenário de fundo uma bela e remota comunidade, que um dia foi uma das regiões mais turbulentas e perigosas de Myanmar, Phongyi, um lutador pela liberdade, dedicou todo o seu amor e suor a esse cantinho tão especial que tive o prazer de ficar por duas noites: o monastério de Phaya Taung.
 
A Sue, pessoa brilhante que comentei brevemente no post anterior, não só tem um lindo projeto para a construção de uma escolar de inglês para as criancas da comunidade local, como também conhece essa pessoa especial, que é o Phongyi.
 
Saibam que tudo o que lerão aqui se trata de uma história real! Eu vi com meus próprios olhos e escutei de pessoas, que gentimente traduziram para nós as palavras ditas em birmanês ditas pelo primeiro monge.
 
Sem ajuda nenhuma do governo, que se recusa a reconhecer o monastério que fica a quatro horas de distância de Inle Lake, Phongyi construiu, criou e organizou, há 30 anos, uma casa que inicialmente abrigava sete crianças e hoje acomoda, alimenta e educa mais de mil, sejam elas menos favorecidas, filhos de pais solteiros ou órfãos de todos os cantos de Myanmar.

 
 
Nem preciso dizer que, depois de tudo o que já descrevi sobre Myanmar, o que esse monastério mais precisa é de ajuda, não somente financeira, mas, por exemplo, de pessoas que falem inglês e estejam dispostas a dedicar o seu tempo à praticar o idioma com as crianças, dando a elas a oportunidade de um novo futuro.

Leia também: Uma visita a Myanmar passando pela principal pagoda de Mandalay, admirando o maior livro do mundo e visitando templo Budista

 
Sue organizou nossa carona de Inle Lake até o monastério. Antes de saírmos compramos algumas bolas, brinquedos e 50 kg de arroz. Depois de um percurso de quatro horas de tuk-tuk por uma estrada de terra, finalmente chegamos! 
 
Entramos em uma área aberta repleta de crianças que exibiam um lindo e largo sorriso no rosto. Umas jogavam bola, outras, com olhar de curiosidade, só nos observavam, assim como fazíamos o mesmo.

 
 
Fomos recebidos pela assistente do primeiro monge. Ela nos levou até o espaço onde Phongyi vive no monastério, onde mais tarde fomos apresentados a ele e ao segundo monge. Serviram-nos o jantar, chá e frutas. Os monges não falam inglês, mas a assistente traduz as poucas palavras que ele disse. Uma delas foi “aqui é a sua segunda casa, sinta-se à vontade”.
 
O respeito das criancas para com o monge é incrível e admirável, assim como toda a organização do local. Eles precisam de ajuda para muitas coisas. Mas daria orgulho para qualquer pai ver como todas elas encaixam as atividades para manter o monastério funcionando em meio a tanto estudo – elas acordam às 4h30 da manhã para estudar e vão dormir tarde da noite. Lá, tudo funciona em perfeita harmonia. O sentimento de paz ao ver tanta coisa boa, ainda que simples, encheu meu olhos de lágrimas.
 
A comida é simples: arroz branco, acompanhado de algo bem simples, tanto no café da manhã, como no almoço e jantar. Ajudamos na cozinha cortando cebola e servindo o arroz – 330 kg são consumidos diariamente no Monastério.

 
 
Tentamos bater papo com as crianças para ajudá-las com o inglês, mas, como estavam em época de prova, respeitamos a concentração delas.
 
No dia seguinte, decidi acordar bem cedo para acompanhá-las em sua rotina e acabei sendo convidada a entrar na pagoda, local onde eles rezam, meditam e estudam. Às 6h da manhã, lá estava eu em oração e meditação. Sentada com os pés para trás, tentei me concentrar ao máximo na oração ao som de mil crianças em uma só voz.  Enquanto as lágrimas rolavam, senti toda a emoção e gratidão em estar vivendo tudo aquilo. A oportunidade de poder ver tantas criancas felizes juntas e, tudo isso, graças a um homem que dedicou a sua vida a fazer o bem, me sensibilizou profundamente.
 
Quem quiser colaborar, seja com o que for, pode obter mais informações aqui. Foi graças às doações que, há cerca de dois anos, eles têm acesso à eletricidade. Mas vocês podem, por exemplo, ajudar adquirindo o livro que conta a história de Phongyi, ou ainda, passar um tempo com eles praticando o inglês e dando muito amor, que é o que eles mais precisam.
 

Eu fui com o intuito de ajudar, mas aquele lugar me permitiu descobrir algo novo sobre mim. Eu me senti como quem estivesse começando a virar as páginas de um livro e entrando em um novo e emocionante capítulo da minha própria vida. Fui ajudada muito mais do que ajudei e, por isso, sinto no dever e na obrigação de voltar e retribuir tudo de bom que aquele lugar e aquelas adoráveis crianças me proporcionaram.
 
 
“Milhares de velas podem ser acessas de uma única vela e a vida da vela não será encurtada. Conhecimento, amor e felicidade nunca diminuirão ao serem compartilhados”.
- Buda
 
 
 
 
 




Obrigado por comentar!
Erro!
Cadastre-se
e saiba mais sobre as aventuras
e os desafios da vida em alto-mar!
Cadastre-se e saiba mais sobre
as aventuras e os desafios
da vida em alto-mar!
Nome
E-mail
Cidade
País
Obrigado!
Você se cadastrou com sucesso.
Tentar novamente